13 de Outubro de 2009

Noticias do Valdir


Escrevi este poema em agradecimento, alegria e felicidade, e ao mesmo tempo uma homenagem ao Zé Bivar.


Bela Mandil



Olhão

A arte floresce nas árvores,

tem um poço, onde bebemos poesia,

A vida encanta os visitantes,

que de um simples e forte desejo,

Nasceu um lugar,

Que se transformou num mundo...



Um coração de gigante

habita a terra linda e bela,

da Bela mandil,

E com apreço,

Estufo o peito,

Para narrar esta canção,

uma canção de amor e poesia,

Pinturas, arte com maestria,

No berço de Olhão,

Terra de pescadores, gigantes e poetas,

artistas e musicistas

A beira mar,

No Castelo Da Bela Mandil,

Do Rei Zé Bivar.

3 de Outubro de 2009

F.E.P.(Fernando Esteves Pinto)


Vendo poemas de amor, engano e desencanto.
Dor de corno, emoção e paixão.
Com ou sem sentimentos, poemas aldrabões, fingidos e comediantes.
Ao verso é mais em conta, frase intensa com bom efeito
Poemas completos, combativos, traiçoeiros e muitos afectos
Poemas para tipos desesperados, raparigas mal paradas, mulheres casadas, picuinhas divorciados, caprichosas e cornplexadas, trintões desorientados.
Vendo poemas ilustrados, com cenário, botânica, muita ave rara, aviário e plumagem, pôr-do-sol e estrelas do outro lado.
Com beijos e marmelada, suspiros e afrontamentos, lágrimas, desmaios e francamente.
Versos simples e directos, palavras pesadas ao sentimento, metáfora polida pelo coração, mensagem bem iluminada e com pontuação.
Vendo sonetos, mais sofisticado, grandes voos e sensação, palavras encomendadas ao dicionário,
imagens de tirar a respiração, conselhos nas entrelinhas incluídos no preço.
Vendo poemas abstractos, frase descalça a pedir atenção, tanto faz ler do meio para trás, indicado para tansos e mal formados, pouco exigentes e volta e meia enganados.
Vendo poemas a mulheres enjeitadas, feias, masculinizadas e com tara, com palavras repetidas e obsessão, ordem, vingança e imposição.
Vendo aforismos engraçados a clientes apressados, fúteis, e do mundo apartados.
Também os vendo profundos, certos ou errados, actuais ou ultrapassados,
de acordo com objectivos e nunca com resultados.
Vendo poemas de esperança a raparigas solteiras, lar, mobília
e príncipe encantado.
Poética descritiva, maravilhas, conto de fadas e muita filhada.
Para fartas e cansadas tenho micro-narrativas,
primeira frase a acabar na última, económico nos pormenores'
mas vasto na intriga e na lição.
Vendo frases isoladas, não muito chatas,
rapidinhas e eficazes para quem ama e não é amado.
Tenho colecção de poemas para levianas, paisagem nocturna, cama desfeita,
anatomia, chicote, gemidos e gargarejo.
Palavras proibidas e prolongada satisfação.
Tenho ficções negras, capítulos inteiros para clientes sinistros,
violentos e sem arrependimento, trolhas, vadios e nojentos.
Histórias de lingerie, silicone e preservativo, para miúdas tontas,
acrobatas e perdidas.
Vendo receitas amorosas, menu personalizado, muito sumo, muita fruta,
tentação vocabular, frases espirituais, suspense, sais coloridos,
significados arco-íris, metáfora extraordinária
e final com sobremesa requintada.
Vendo poemas com rima, pobre ou enriquecida, conforme a posição,
responsabilidade por conta do infeliz.
Sugestão de palavras sem limitação, escandalosas ou bem comportadas,
oriundas da escumalha ou afeitas a ambientes de salão.
Vendo quadras populares, sociais, comprometidas, políticas e apimentadas.
Ideias vadias, verdades miraculosas, dão sempre resultado
quando a compreensão não enguiça.
Vendo ensaios à medida, existencialistas ou de diversão,
a estudantes, advogados e engenheiros.
Prosa técnica e caprichosa, assuntos afinados com a ocasião,
posfácio impressionista com assinatura realista.
Escrevo diálogos adaptados de casos pessoais,
pedidos de casamento, charadas originais,
úteis para gagos e malta condicionada, envergonhados,
desencorajados e com défice de tino e emoção.
Vendo letras de canção, festival de inocentes, coisas sérias e refrão,
trauteares versificados, avisos e recados bem pensados.
Tenho catálogo de farsas, muitas ficções, postais da alma ilustrados,
máximas que nem sempre o são.
Vendo ditados inspirados, para quem se submete à solidão,
improvisos bem cuidados e cópias escritas à mão.
Faço manutenções à inspiração, acerto detalhes de alma atrapalhada,
enfeito qualquer voz de palavreado e encho de glória tudo o que é ilusão.

8 de Setembro de 2009

um dos desenhos de José Bivar na nova galeria de Pechão